Muitas pessoas se dizem altruístas e não se dão conta que muitos o são e nem tem isso como objetivo principal. Enquanto filantropos que buscam fazer o bem ao próximo, ora por uma espera de recompensa divina, ora por necessidade pessoal, existem muitos que são considerados individualistas, mas acabam praticando o bem tanto quanto os citados anteriormente. Portanto, a ideia de que ajudar o próximo nos fará seres melhores e mais felizes é totalmente errônea, do meu ponto de vista, antes nos façamos seres felizes e realizados, e consequentemente faremos bem ao próximo sem necessariamente ter a percepção dessas atitudes consideradas altruístas.
É notável que toda a crueldade gerada desde os primórdios, foi causada por seres "doentes", fracassados, infelizes, rejeitados, e etc. E engana-se aquele que pensa que o ser humano pode ser distinguido por bom e por mau. Ora, não vivemos em contos infantis onde existe um lobo mal e uma chapeuzinho vermelho. Por trás de todo sujeito cruel existe o sujeito que foi passível da crueldade ou do desamparo, por trás de um indivíduo que cometeu homicídio, há um indivíduo que almeja pelo bem, ninguém é totalmente bom, assim como ninguém é totalmente mau.
A auto-estima elevada, o bem estar emocional e social, faz eclodir em nós o desejo de compartilhar, de observar o mundo e as pessoas ao nosso redor com otimismo e cautela, da mesma forma que alguém que obtém uma realização pessoal quer compartilhar com os amigos e esquecem, mesmo que momentaneamente, as mágoas dos inimigos. Já o oposto, alguém possuído de rancor e insegurança, naturalmente se estabelece como vítima dentro do ambiente em que vive, muitas vezes tomando aqueles que fazem parte de seu âmbito familiar ou social como seus opressores.
A humanidade tem por impulso julgar aqueles que cometeram atos cruéis e infames contra a humanidade, mas são raras as vezes em que se preocupam com o que levou o indivíduo a tomar tais atitudes desonrosas. Punem de imediato, antes de pensar sobre uma solução mais eficaz para evitar que seres humanos se tornem monstruosos. E a única maneira de fazer bem a humanidade, ou não fazer o mal, é fazer o bem ao seu próprio ser inicialmente, estar sujeito a buscar a felicidade completa, sem a necessidade de apego ao materialismo para tal realização. Só assim, buscando a paz interior e a satisfação pessoal que a humanidade caminhará para o equilíbrio.
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